Tratamento Farmacológico da Obesidade.

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O Tratamento Farmacológico da Obesidade.

É uma área de bruscas mudanças e desenvolvimento de novos produtos e proposta. A informação apresentada nesta revisão oferece uma visão dos agentes fisiológicos, da terapêutica corrente, bem como de medicamentos amplamente usados e que não mais estão disponíveis.

Por muito tempo o tratamento farmacológico da obesidade foi visto como uma opção terapêutica controversa e sujeita a inúmeras críticas. Isso deve-se a vários fatores; entre eles, erros no uso racional dos agentes disponíveis, generalização da prescrição de medicamentos, abusos na comercialização de cápsulas manipuladas, desvalorização da orientação do tratamento clássico (orientação dietética hipocalórica, aumento de atividade física programada ou não programada, técnicas de modificação comportamental). Esse tratamento está sofrendo atualmente uma reavaliação, principalmente no que diz respeito ao conceito emergente de uso a longo prazo de medicações anti-obesidade como adjunto a outras terapias para perda de peso, ou, ainda mais importante, no sentido de ajudar a manter o peso corporal ao longo do tempo.

Não existe uma estratégia particular ou medicação que deva ser recomendada para uso rotineiro. O indivíduo obeso deve ser avaliado profundamente, em relação a erros em hábitos alimentares e de atividade física, presença de sintomas depressivos, presença de complicações ou doenças associadas à obesidade, possibilidade de desenvolvimento de efeitos colaterais. A escolha de um medicamento anti-obesidade deve basear-se também na experiência prévia do indivíduo (paciente), no uso anterior de medicamentos, muito embora a falência de um tratamento prévio não justifique a não utilização de um determinado agente posteriormente.

Em qualquer discussão sobre o uso racional de medicamentos anti-obesidade é importante entender alguns conceitos: 1) O tratamento farmacológico só se justifica em conjunção com orientação dietética e mudanças de estilo de vida. Os agentes farmacológicos somente ajudam a aumentar a aderência dos pacientes a mudanças nutricionais e comportamentais. 2) O tratamento farmacológico da obesidade não cura a obesidade ­ quando descontinuado, ocorre reganho de peso. Como qualquer outro tratamento em Medicina, os medicamentos não funcionam quando não são tomados, isto é, deve-se esperar recuperação do peso perdido quando os medicamentos são suspensos. 3) Medicações anti-obesidade devem ser utilizadas sob supervisão médica contínua. 4) O tratamento e a escolha medicamentosa é moldada para cada paciente. Os riscos associados ao uso de uma droga devem ser avaliados em relação aos riscos da persistência da obesidade. 5) O tratamento deve ser mantido apenas quando considerado seguro e efetivo para o paciente em questão.

O tratamento farmacológico da obesidade está indicado quando o paciente tem um índice de massa corporal (IMC, calculado pela divisão do peso em kg, pela altura em m2) maior que 30 ou quando o indivíduo tem doenças associadas ao excesso de peso com IMC superior a 25 em situações nas quais o tratamento com dieta, exercício ou aumento de atividade física e modificações comportamentais provou ser infrutífero (1).

Agentes farmacológicos anti-obesidade não são recomendados para uso em crianças, uma vez que até o presente momento não há dados suficientes sobre seus efeitos nessa faixa etária.

Um medicamento útil para tratamento da obesidade deve possuir as seguintes características: 1) demonstrar efeito em reduzir o peso corporal e levar a melhora das doenças dependentes do excesso de peso; 2) ter efeitos colaterais toleráveis e/ou transitórios; 3) não ter propriedades de adição; 4) apresentar eficácia e segurança mantidas a longo prazo; 5) possuir mecanismo de ação conhecido; 6) idealmente ter um custo razoável (2).

Obesidade é uma doença crônica e estigmatizada (3). Neste contexto, a doença é definida da mesma forma que hipertensão e hipercolesterolemia são definidas como doenças (4). Cada doença é um fator associado a risco aumentado de uma série de doenças alvo definidas. Para hipertensão, os alvos são insuficiência cardíaca e acidente vascular cerebral e para hipercolesterolemia, aterosclerose e doença arterial coronariana. Para obesidade, as doenças alvo são diabetes mellitus, hipertensão arterial sistêmica, dislipidemia, certas formas de câncer, apnéia do sono e osteoartrite, entre outras.

Com o reconhecimento da obesidade como doença epidêmica que aflige globalmente a população (1,5) emerge a necessidade de melhorar a qualidade e eficácia dos tratamentos disponíveis. O cerne do tratamento atual da obesidade baseia-se em terapias comportamentais dirigidas no sentido de modificação das atividades e hábitos relacionados à alimentação, exercício para aumentar o gasto calórico e orientações nutricionais para diminuir o consumo de calorias e, particularmente, de gordura. Os tratamentos com agentes farmacológicos são considerados um adjunto a esta terapêutica básica.

É possível classificar os tratamentos farmacológicos da obesidade existentes e promissores de acordo com o conhecimento atual de controle e regulação da adiposidade corporal. Um primeiro mecanismo envolve substâncias que reduzem a ingestão energética. Uma segunda estratégia seria desviar o metabolismo normal de substâncias ou macronutrientes. Uma terceira opção é aumentar o gasto energético utilizando, desta forma, mais calorias.

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Critérios de avaliação da eficácia de tratamentos anti-obesidade

Vários critérios foram propostos (6-8) para avaliar resposta a tratamentos anti-obesidade, desde 1928 (9). Esses critérios, porém, apresentavam falhas uma vez que não individualizavam os pacientes em relação a sexo e grau de obesidade, de modo que se esperava uma perda de peso semelhante para mulheres com pequeno excesso ponderal e para homens muito corpulentos, por exemplo. Tentou-se definir critérios que relacionavam a quantidade de perda de peso com o peso inicial do indivíduo, como o Índice de Redução (10), que foi usado durante alguns anos (11,12). Atualmente, os critérios mais usados para avaliação da eficácia de tratamentos anti-obesidade são os do FDA (Food and Drug Administration, Administração de Alimentos e Drogas, dos EUA) (13) e do CPMP (Committee of the European Agency for the Evaluation of Medicinal Products, Comitê da Agência Européia para Avaliação de Produtos Medicinais) (14). O FDA cita como critério uma perda de peso maior que 5% em relação ao placebo e que seja estatisticamente significativa, enquanto que o CPMP sugere uma perda maior que 10% em relação ao placebo. Além disso, as agências sugerem um período de teste tipo run-in, análise categorial dos resultados (pacientes que perderam mais que 5 ou 10% do peso inicial) e melhora das comorbidades que acompanham a obesidade. Estes e outros critérios secundários estão arrolados na tabela 1. A diferença básica entre os critérios usados pelas agências norte-americana e européia é o vigor dado às recomendações ancilares, maior na agência européia, que inclui modificações comportamentais no aconselhamento inicial do paciente nos estudos a longo prazo, o que aumenta a perda de peso do grupo placebo, dificultando a detecção de efeitos do princípio ativo. Se os pacientes estudados perdem peso rapidamente com um programa de modificações comportamentais ou uma dieta de muito baixas calorias, fica mais difícil observar efeitos adicionais de um medicamento anti-obesidade.

A história natural do peso corporal em pessoas com excesso de peso é um ganho de cerca de 0,25kg por ano (15). Um objetivo muito bom com uma visão populacional do problema seria a simples prevenção de qualquer aumento adicional de peso. Já para indivíduos com obesidade, uma perda de peso de 5% mantida pode ser considerado um critério mínimo de sucesso. Uma perda mantida de 5 a 10% do peso inicial com ou sem melhora parcial de fatores de risco seria uma resposta razoável a boa, enquanto de perdas além de 15% com normalização dos fatores de risco e redução do peso corporal abaixo de 25 kg/m2 seriam excelentes e ideais, porém raramente atingíveis na prática clínica (8,16).

Na maioria dos estudos, a perda máxima de peso é, em geral, atingida em 20-24 semanas. Em uma revisão de estudos clínicos, Bray calculou que em 6, 12 e 18 semanas, a perda de peso correspondia em média a 44%, 72% e 89% da perda de peso em 24 semanas (8).

Agentes farmacológicos moduladores da homeostase energética

Agentes pré-absortivos

Derivados b-fenetilamínicos e fenilpropanolamínicos

Todos os medicamentos anorexiantes de ação central, exceto o mazindol, são derivados da b-fenetilamina. O esqueleto b-fenetilamínico é também a estrutura dos neurotransmissores dopamina, NE e epinefrina (monoaminas). Esses neurotransmissores são sintetizados a partir da tirosina em terminações nervosas, armazenado em grânulos e liberado na fenda sináptica para agir em receptores pós-gangliônicos. Após agir nesses receptores, as monoaminas podem ser inativadas pela catecol-o-metiltransferase ou ser recaptadas pela terminação nervosa (17).

Modificações da estrutura química da anfetamina (a-metil-b-fenetilamina) levaram à síntese de uma gama de compostos, com ações e respostas farmacológicas variadas. Num pólo situam-se derivados b-fenetilamínicos que influenciam a neurotransmissão noradrenérgica e dopaminérgica (podendo agir estimulando a liberação e/ou bloqueando a recaptação), como dietilpropiona e fentermina, que estimulam a liberação de NE da terminação nervosa aumentando a quantidade de NE que interage com receptores pós-sinápticos (17). No pólo oposto encontram-se as substâncias que afetam a liberação e recaptação de serotonina, como a dexfenfluramina e seu isômero levógiro, a l-fenfluramina ou fenfluramina (18). No meio, situa-se a sibutramina, que bloqueia a recaptação de NE e serotonina (19).

Estudos de ligação de derivados fenetilamínicos marcados com [3H] demonstraram a presença de sítios de ligação de afinidade variável no hipotálamo e em outras regiões cerebrais (20). A afinidade de ligação dos vários derivados fenetilamínicos correlaciona-se com a sua potência anorética, mas não com a capacidade estimulatória (20). Os sítios de ligação dessas substâncias no hipotálamo é regulado pelo nível de glicose, através de ação nos canais iônicos, estimulando a bomba sódio-potássio ATPase (21).

Todos os derivados b-fenetilamínicos demonstraram uma ação redutora da ingestão de alimento em estudos em animais, sendo esta ação o mecanismo primário de indução de perda de peso. Quando a alimentação é mantida constante e pareada com grupo controle, a perda de peso é a mesma no grupo que recebeu o princípio ativo e no grupo que não recebeu ou que recebeu placebo. Este tipo de estudo foi um dos primeiros estudos realizados com anfetamina em animais (22), mas também com fenfluramina em humanos em unidade metabólica (23). O efeito é relacionado à dose e ocorre rapidamente após a administração parenteral dessas substâncias (22).

O padrão de ingestão alimentar difere entre medicamentos ou substâncias com mecanismos de ação primariamente noradrenérgicos e serotoninérgicos. Enquanto a anfetamina atrasa o início da ingestão, a fenfluramina não o faz, mas sim antecipa o término da ingestão de alimento (24). Em animais, a administração de serotonina e de fenfluramina reduz principalmente a ingestão de gordura (25), enquanto que a injeção de NE no PVN afeta a ingestão de carboidratos e medicações noradrenérgicas podem ter efeitos seletivos sobre a escolha do macronutriente (26).

Geralmente, os medicamentos b-fenetilamínicos demonstram ação termogênica em estudos em animais. O mazindol (analisado neste texto junto com os medicamentos b-fenetilamínicos, embora não seja um derivado b-fenetilamínico) estimula o consumo de oxigênio (assim como a dietilpropiona) e aumenta a estimulação da NE na gordura marrom (assim como a anfetamina, a fenfluramina e a dexfenfluramina) em ratos (27,28). A sibutramina, que bloqueia a recaptação de NE e de serotonina, reduz a ingestão alimentar e também estimula a termogênese em tecido adiposo marrom em animais de experimentação (29).

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Farmacocinética clínica.

Os medicamentos anorexiantes noradrenérgicos são geralmente bem absorvidos no trato gastrintestinal atingindo nível de pico plasmático nas primeiras duas horas (tabela 2). A sua remoção ocorre por metabolização ou conjugação hepática, que produz metabólitos ativos para algumas drogas (fenfluramina, dexfenfluramina, sibutramina) (29,30), mas que inativa outras (anfetamina, fentermina) (31). A meia-vida é curta para a maioria desses medicamentos e longa para a fenfluramina, a dexfenfluramina e os metabólitos da sibutramina (tabela 2) (29). Estudos indicam que o femproporex é metabolicamente dealquilado em anfetamina em animais (32,33), e seu uso resulta em testes positivos para anfetamina em humanos (34). Apesar disso, os efeitos estimulatórios do sistema nervoso central são menos notórios na prática clínica do que com outros agentes como a dietilpropiona e o mazindol, muito embora a literatura médica seja muito escassa em relação a estudos clínicos controlados controlados com essa substância.

Estudos em humanos avaliando a ingestão alimentar.

Vários medicamentos anorexiantes possuem estudos documentando ação redutora da ingestão em humanos (24,26,35,36). É interessante que os efeitos sobre o apetite da d-anfetamina são atenuados pela ondansetrona, um antagonista do receptor serotoninérgico 5-HT3, o que sugere que vias serotoninérgicas podem estar envolvidas também na resposta a medicamentos com ação noradrenérgica (37).

As medicações serotoninérgicas (fenfluramina e dexfenfluramina) diminuem a ingestão de carboidratos, muito embora os estudos tenham sido efetuados com alimentos que contêm carboidrato e gordura (38). Outros estudos demonstraram que a serotonina e a fenfluramina levavam à redução na ingestão de proteína e gordura e que a supressão de ingestão com a dexfenfluramina era mais eficaz que com a fenfluramina (24,25,39). A dexfenfluramina leva à diminuição do tamanho da refeição e redução importante no hábito de beliscar (39). Estudos em humanos demonstraram que a dexfenfluramina diminui de forma seletiva a ingestão de gordura (40).

A ritanserina, um antagonista do receptor serotoninérgico 5-HT2C, anula a redução de ingestão alimentar provocada pela dexfenfluramina, assim como o aumento de prolactina e de temperatura (41). A m-clorofenilpiperazina (mCPP), um agonista 5-HT1B/2C, reduz a alimentação em humanos (42) e o sumatriptano, um agonista 5-HT1B/D seletivo, reduziu a ingestão de alimentos (principalmente de gordura) e aumentou o GH plasmático em um estudo duplo-cego cruzado controlado com placebo (43). Portanto, os receptores serotoninérgicos 5-HT1B, 5-HT2C e 5-HTD são candidatos para os efeitos anorexígenos da serotonina em humanos.

Efeitos cardiovasculares.

A presença de efeitos cardiovasculares simpatomiméticos com o uso de substâncias b-fenetilamínicas é previsível, uma vez que a estrutura básica dessas substâncias é comum às monoaminas NE, adrenalina e dopamina. Após sua administração aguda (excetuando-se a fenfluramina e a dexfenfluramina), ocorre um pequeno efeito estimulatório sobre a freqüência cardíaca e a pressão arterial (44). O tratamento com sibutramina leva a uma pequena elevação proporcional à dose, de 3-5mmHg na pressão arterial diastólica e de 2 a 4 batimentos por minuto na freqüência cardíaca (45). A perda de peso leva à redução da pressão arterial em boa parte dos pacientes (44) e reduções clinicamente significativas e prolongadas da pressão arterial podem ser conseguidas, mesmo com perdas modestas de peso (por exemplo, redução de 5% do peso) (46). Os mecanismos dessa resposta hipotensora da perda de peso não estão completamente compreendidos, mas provavelmente envolvem queda do nível de insulina, seguida de redução da atividade do sistema nervoso simpático com resposta natriurética (47).

A dexfenfluramina e a fenfluramina levam à redução da pressão arterial em pacientes obesos normotensos (48), hipertensos (49), e mesmo em estudos a curto prazo envolvendo prevenção de perda de peso (50). Estudos usando mapeamento ambulatorial da pressão arterial demonstraram que esse efeito hipotensor intrínseco ocorria durante o dia, não modificando os níveis tensionais durante a noite (50). A dexfenfluramina causa redução da renina e da noradrenalina plasmáticas independentemente da perda ponderal (50).

Efeitos endócrinos e metabólicos.

A perda de peso leva à correção de vários distúrbios endócrino-metabólicos associados com à obesidade. Isso ocorre mesmo com perda ponderal modesta (51), mas a melhora se acentua com perdas maiores intencionais de peso corporal (52).

Alguns estudos demonstraram que a fenfluramina e a dexfenfluramina teriam uma ação hipoglicêmica independente da perda de peso (53,54). Além disso, o tratamento com dexfenfluramina esteve associado com uma redução seletiva de gordura visceral que se correlacionava com a melhora da resistência à insulina e com a redução de gordura hepática (55). A dexfenfluramina promove aumento da renovação e da oxidação de ácidos graxos (turnover) (55). A fenfluramina, mas principalmente a dexfenfluramina, são potentes estimuladores da secreção de prolactina e o aumento dos níveis de prolactina são atenuados por naloxona (um antagonista opióide) em mulheres magras, porém não em mulheres obesas (56). O aumento observado é menor em pacientes com depressão endógena, distúrbio obscessivo-compulsivo e distúrbio do pânico e a resposta melhora com o tratamento da depressão (57). Já a anfetamina não tem efeito sobre a secreção de prolactina (56). Além disso, o aumento de ACTH e cortisol observado após a administração de naloxona (maior em mulheres obesas que em não obesas) foi atenuado por tratamento por sete dias com dexfenfluramina (58). A resposta de ACTH e cortisol ao CRH não foi afetada por tratamento com dexfenfluramina (58). Entretanto, a resposta de GH ao GHRH é aumentada com dexfenfluramina em pacientes com obesidade andróide e os níveis de insulina foram reduzidos (embora esta última resposta possa ter sido influenciada pela dieta) (59). Outros autores não observaram aumento da resposta de GH ao GHRH em mulheres obesas submetidas a tratamento com dexfenfluramina (60).

O mazindol leva à redução da insulina e do GH durante teste oral de tolerância à glicose e promove elevação de T4, embora não altere FSH, LH, testosterona, renina, angiotensina II, taxa metabólica basal, reflexo aquileu e 17-cetosteróides (61).

A perda de peso que ocorre com o uso de sibutramina e restrição calórica associa-se à melhora no controle metabólico de pacientes obesos com diabetes tipo 2 (61A,61B).

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Estudos em humanos avaliando o efeito termogênico.

Como citado anteriormente, vários estudos em animais demonstram uma ação termogênica de vários derivados b-fenetilamínicos e do mazindol (27-29). Os estudos em humanos já não são tão claros e as diferenças nos resultados obtidos costumam ser atribuídas à heterogeneidade dos pacientes obesos estudados.

Enquanto alguns autores demonstraram um aumento da taxa metabólica de repouso em jejum e da resposta térmica à alimentação após administração de dexfenfluramina (62,63), ou mesmo que a queda esperada da taxa metabólica de repouso durante dieta de muito baixa caloria foi menor durante três meses de tratamento com dexfenfluramina em mulheres pós-menopausa (64), outros autores não encontraram diferenças no gasto energético de 24 horas após uma semana, três meses (40) ou mesmo 13 meses de tratamento com dexfenfluramina ou placebo (65).

Os dados em humanos também são contraditórios em estudos com a sibutramina. Em um estudo não houve diferença entre a medida da taxa metabólica basal e três horas após administração de sibutramina ou placebo, nem após tratamento com sibutramina por oito semanas (66). Porém, quando foi medido o gasto calórico durante cinco horas, houve um aumento da termogênese, tanto em jejum como após alimentação, nas últimas 3,5 horas da administração de sibutramina, efeito que não pode ser observado no primeiro estudo (67).

A fenilpropanolamina é um agonista adrenérgico a1, extensamente utilizado durante muitos anos nos Estados Unidos. A experiência com este agente no Brasil é mais limitada. Um único estudo que avaliou possível efeito termogênico da fenilpropanolamina não observou aumento do gasto energético (68), o que é concorde com um estudo cego realizado em nosso grupo, que avaliou 103 mulheres obesas submetidas a dieta hipocalórica e tratamento por 12 semanas com três tomadas por dia de cápsulas contendo placebo, ioimbina 8mg, T3 25µg, fenilpropanolamina 25mg ou associação de efedrina 25mg e aminofilina 100mg (69). Somente os pacientes que receberam fenilpropanolamina tiveram uma redução ponderal significativamente superior ao grupo placebo, embora não tenha havido diferença quanto à medida da taxa metabólica de repouso medida por calorimetria indireta (69).

A efedrina, quimicamente, pertence ao grupo das fenilpropanolaminas e estimula a liberação de noradrenalina. Algumas modificações em sua estrutura acarretam um aumento de sua ação periférica ao mesmo tempo em que reduzem a ação central sobre receptores adrenérgicos. Isso fez com que a efedrina demonstrasse potencial para tratamento da asma, e de fato, durante muitos anos, efedrina isoladamente ou a combinação de efedrina e teofilina foram tratamentos de primeira escolha para essa doença. A efedrina causa uma estimulação não seletiva do sistema nervoso simpático, atuando em receptores b-adrenérgicos (inclusive b3), e gerando um aumento da termogênese (70).

A efedrina foi estudada em mulheres obesas, na dose de 60mg por dia por 12 semanas, acarretando um aumento na taxa metabólica basal; na dose de 150mg por dia por um mês levou à perda de peso (71).

A associação de efedrina com metilxantinas (como cafeína, teofilina e aminofilina) ou aspirina promove um aumento da duração da atividade da noradrenalina. A atividade da noradrenalina é diminuída pela adenosina e pelas prostaglandinas, que por sua vez sofrem inibição pela cafeína e pela aspirina. A inibição da fosfodiesterase pela cafeína parece ser o efeito mais importante, uma vez que essa enzima é responsável pela metabolização do AMP cíclico, e sua inibição aumenta ainda mais a atividade da noradrenalina (72,73).

Várias combinações de cafeína e efedrina foram analisadas em estudos duplo-cegos, concluindo-se que o maior sinergismo ocorria com a dosagem de 200mg de cafeína com 20mg de efedrina, administrados três vezes por dia (74).

Um estudo duplo-cego randomizado realizado em nosso grupo dois anos antes, utilizando três doses por dia da combinação de efedrina 22mg, cafeína 20mg e aminofilina (50mg) demonstrou uma perda ponderal significativamente maior no grupo de pacientes que recebeu a associação, muito embora não tenhamos nesse estudo avaliado o gasto energético basal dos pacientes por calorimetria (75). Em outro estudo mais recente, avaliamos 17 mulheres com IMC de 34,5kg.m-2 e peso de 87,2kg que lograram uma perda ponderal de 5,6kg utilizando a associação de aminofilina 300mg e efedrina 75mg dividida em três tomadas diárias (69).

Estudos clínicos e relatos de casos em humanos.

Há 25 anos, uma análise de mais de 200 estudos controlados duplo-cegos submetidos ao FDA para justificar novos registros de medicamentos redutores de apetite (incluindo tratamentos com anfetamina, fen-metrazina, benzofetamina, fendimetrazina, fentermina, clorfentermina, clortermina, mazindol, fenfluramina e dietilpropiona) demonstrou que em 90% deles houve maior perda ponderal no grupo de pacientes recebendo medicação ativa, taxa de abandono de cerca de 24% ao fim do primeiro mês e de cerca de 48% ao final dos estudos, duração de tratamento de 3 a 8 semanas e perda de peso superior ao grupo placebo média de 0,23kg por semana (aproximadamente o dobro de perda de peso). Ao todo, foram analisados 4.543 pacientes que tomaram placebo contra 3.182 pacientes que tomaram substância ativa (8).

A excelente revisão de Bray & Greenway (8) apresenta uma revisão detalhada de alguns desses estudos. Apresentamos na tabela 3, 41 estudos duplo-cegos com pelo menos dez semanas de duração, com derivados fenetilamínicos ou tricíclicos (dietilpropiona [76-83], mazindol [84,95], fentermina [96-98]), fenfluramina [99,100], dexfenfluramina [64,101-115]).

Essas medicações cumprem os critérios atualmente usados para aprovação de medicamentos anti-obesidade (13,14) exceto em relação à fenfluramina e à dexfenfluramina. Esses dois medicamentos foram retirados do mercado mundial em 1997, devido à documentação de inúmeros casos de lesões valvares com a associação de fentermina e fenfluramina (mas não com a fentermina isoladamente) (116,117), semelhantes às lesões que ocorrem na síndrome carcinóide. Um estudo com ecocerdiografia realizado em 76 mulheres obesas tratadas com dexfenfluramina por mais de seis meses no Ambulatório de Obesidade do Hospital das Clínicas da FMUSP mostrou uma prevalência de lesões valvares de 49%; das 37 mulheres que apresentavam alterações ecocardiográficas, 10 puderam ser reavaliadas após seis meses de suspensão da medicação, havendo regressão das lesões valvares em 5 delas (118). Um estudo prospectivo com 1.072 participantes, porém, não encontrou risco maior de doença valvar em pacientes que utilizaram dexfenfluramina de liberação lenta por menos que três meses (119). Um estudo caso-controle com 95 pacientes com hipertensão pulmonar e 355 controles pareados demonstrou que o uso de fenfluramina apresentou associação com hipertensão pulmonar (odds ratio [or] 6,3; 3,0 a 13,2), sendo o or maior em pacientes que usaram fenfluramina em um período inferior a 12 meses (or 10,1; 3,4 a 29,9) ou por um período de mais de três meses (or 23,1; 6,9 a 77,7) (120).

Dietilpropiona, femproporex e mazindol fazem parte de medicações que podem ser usadas em pacientes que não possuem condições de utilizar orlistat e/ou sibutramina, naqueles não responsivos a esse tratamento, ou naqueles onde esses medicamentos estão contra-indicados, segundo o Consenso Latino-Americano de Obesidade, revisado (121). Existe apenas um caso de hipertensão pulmonar, recentemente relatado em um paciente que utilizou mazindol por 10 semanas, 12 meses após a interrupção do medicamento (122). Há relatos de caso isolados de hipertensão pulmonar (123) e psicose (124) envolvendo dietilpropiona.

A sibutramina, embora também seja um derivado fenetilamínico, apresenta um perfil bastante diferente e uma tolerabilidade muito melhor. Na tabela 3 estão arrolados os estudos com mais de dez semanas de duração com sibutramina, com até dois anos de duração (45,125-128). Os efeitos adversos mais comuns foram cefaléia, boca seca, constipação, insônia, rinite e faringite que ocorreram em 10-30% dos pacientes em uso de sibutramina. Nas doses de 5-20mg por dia, a elevação média da pressão arterial diastólica e sistólica foi 1-3mmHg e da freqüência cardíaca foi 4-5 batimentos por minuto (129). Em pacientes com hipertensão controlada, o número de pacientes que tiveram elevação clinicamente importante da pressão arterial (> 10mmHg) em três visitas sucessivas foi comparável nos grupos sibutramina e placebo, embora hipertensão tenha sido o efeito adverso que mais comumente causou desistências no estudo (130).

No Brasil, a fenilpropanolamina exigia receituário controlado em duas vias. Nos Estados Unidos, porém, era medicação vendida livre de receituário médico, sendo utilizada em escala bastante superior ao nosso país. Um recente estudo tipo caso-controle (em homens e mulheres com idade de 18 a 49 anos) documentou que, a fenilpropanolamina, quando usada como medicamento para obesidade (em contraste ao seu uso como anti-gripal) aumentou o risco de acidente cérebro-vascular hemorrágico nos primeiros três dias de uso (or ajustado 15,9, p= 0,013) (131). A fenilpropanolamina foi retirada do mercado americano e brasileiro em 2001.

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Inibidores seletivos da recaptação da serotonina.

Embora tanto a fluoxetina como a sertralina sejam inibidores seletivos da recaptação de serotonina, elas não possuem estrutura química semelhante. A fluoxetina é um derivado oxitrifluorfenil da fenilpropanolamina e a sertralina é um derivado naftilamínico. A fluoxetina e a sertralina são inibidores seletivos da recaptação de serotonina no terminal pré-sináptico, com indicação para tratamento de depressão e bulimia nervosa, mas sem indicação formal de uso no tratamento da obesidade. Tanto fluoxetina como sertralina reduzem a ingestão alimentar experimentalmente em animais (132). Em experimentos clínicos para aprovação desses medicamentos como anti-depressivos foi observada perda de peso. Com a sertralina, que parece diferenciar-se por uma maior ação da droga em receptores muscarínicos, a perda de peso era de 0,45-0,91kg em estudos de acompanhamento que duravam 8-16 semanas.

Estudos em humanos avaliando a ingestão alimentar.

Durante experimentos clínicos que avaliaram a ingestão alimentar, foi observado efeito desses medicamentos sobre a quantidade de alimento ingerido pelos pacientes (133).

Efeitos endócrinos e metabólicos.

Um estudo em diabéticos mostrou que pacientes tratados com fluoxetina perdiam mais peso e reduziam seus requerimentos de insulina (134).

Estudos clínicos em humanos.

O principal problema com a fluoxetina como agente anti-obesidade é a recuperação de peso observada em estudos a longo prazo (135-137). Em geral, após os primeiros seis meses de tratamento, o peso gradualmente se eleva, a despeito da continuação de uso da medicação (135-137). Um estudo avaliando perda de peso com sertralina não mostrou diferenças em relação ao grupo placebo (138), mas em outro estudo, a sertralina aumentou a perda de peso de pacientes submetidos a tratamento cognitivo-comportamental (139). Os estudos duplo-cegos com pelo menos dez semanas de duração com fluoxetina são apresentados na tabela 4 (135-137, 139-142). A utilização de fluoxetina no tratamento de obesidade esteve mais associada a sintomas gastrintestinais, distúrbios do sono, diminuição de libido, sudorese, tremor, amnésia e sede (143).

Inibidores seletivos da recaptação de serotonina não são, portanto, agentes anti-obesidade eficientes, embora seja indubitável o fato de que podem ser úteis em pacientes obesos depressivos ou com outras comorbidades onde esses anti-depressivos sejam tratamentos mais apropriados, como por exemplo em pacientes com apnéia do sono, pelo fato da fluoxetina levar a uma redução da fase REM, onde ocorre a maior parte dos episódios de apnéia obstrutiva (121).

Modificadores pós-absortivos do metabolismo de nutrientes

Análogos da lipstatina

A lipstatina é um composto produzido por um fungo, o Streptomyces toxytricini. O orlistat é um análogo mais estável e parcialmente hidrolizado da lipstatina (tetra-hidrolipstatina).

Farmacocinética clínica.

O orlistat é um potente inibidor de lipases gastrintestinais (GI). As lipases catalisam a remoção hidrolítica dos ácidos graxos dos triglicérides, produzindo ácidos graxos livres e monoglicérides. O orlistat liga-se de maneira irreversível no sítio ativo da lipase através de ligação covalente. Cerca de um terço dos triglicérides ingeridos permanecem não digeridos e não são absorvidos pelo intestino delgado, atravessando o trato GI e sendo eliminados nas fezes. O orlistat não possui atividade sistêmica, sendo desprezível a absorção pelo trato GI em doses de até 800mg e irrelevante do ponto de vista farmacológico a atividade inibidora de lipase (de 1.000 a 2.500 vezes menor que a do orlistat) (144).

Estudos em humanos avaliando a ingestão alimentar.

O orlistat não possui efeito sobre circuitos neuronais reguladores do apetite. Porém, o efeito farmacológico do orlistat (evidenciado pela quantidade de gordura nas fezes) estimula a adesão a longo prazo a um consumo de alimentos com menor teor de gordura (145).

Efeitos cardiovasculares.

A perda de peso que ocorre com orlistat está associada a reduções significativas da pressão arterial sistólica e diastólica (-4,9 vs. -2,4mmHg e -3,7 vs. -1,8mmHg, respectivamente, vs. placebo, p< 0,05) (146). Uma meta-análise de cinco estudos demonstrou que pacientes com hipertensão sistólica isolada (PA sistólica > 140mmHg) apresentam reduções maiores (-10,9 vs. -5,1mmHg, p< 0,05) (147).

Efeitos endócrinos e metabólicos.

Como citamos anteriormente, a perda de peso leva à correção de vários distúrbios associados com a obesidade. Isso ocorre mesmo com perda ponderal modesta, mas a melhora se acentua com perdas maiores intencionais de peso corporal.

O uso de orlistat em combinação com restrição calórico-gordurosa, associa-se a reduções significativas em pacientes obesos sem diabetes, da insulinemia (-5,05% vs. +19,1%, vs. placebo, p= 0,001) e da glicemia (-0,92% vs. +2,33%, p< 0,05) (148). Um estudo de um ano em diabéticos controlados com sulfoniluréias proporcionou redução significativa da glicemia, do nível de hemoglobina glicosilada e do número de pacientes que lograram interromper o tratamento com agentes hipoglicemiantes orais (149), dados que foram confirmados por um estudo multicêntrico latino-americano de seis meses de duração do qual participamos (150). Em nosso estudo, o uso de orlistat associou-se a maior perda de peso e a melhora significativa dos níveis de glicemia de jejum (p= 0,036), pós-prandial (p= 0,05) e de hemoglobina glicosilada (p= 0,04). Além desses parâmetros, observamos benefícios no perfil lipídico, com reduções de colesterol total (p= 0,0001), da fração LDL do colesterol (p= 0,002) e redução da circunferência abdominal (p< 0,05) (150).

Estudos clínicos em humanos.

Os primeiros estudos clínicos com orlistat tiveram duração de 12 semanas e foram realizados com várias dosagens, de 10mg, administradas três vezes por dia até 120mg 3 vezes por dia (151,152). Um outro estudo, desta vez com seis meses de duração, foi realizado com doses de 30, 60, 120 e 240mg três vezes por dia (153). Houve diferença significativa a partir da dose de 60mg (dose total diária de 180mg), sendo atingido um platô na dose de 120mg (dose total diária de 360mg). Não houve perda maior de peso com doses maiores. A tabela 5 apresenta os estudos clínicos com pelo menos dez semanas de duração realizados com orlistat (146,148,149,154-160) incluindo vários estudos de longa duração e em pacientes diabéticos (149,150). Em todos os estudos analisados, não existem diferenças na freqüência de efeitos adversos não GI entre os grupos orlistat e placebo. Os efeitos GI são relacionados ao mecanismo de ação do orlistat (fezes oleosas, aumento do número de evacuações, flatulência com ou sem eliminação de gordura, urgência fecal) e em geral são de curta duração e ocorrem em freqüência muito menor após as primeiras semanas de tratamento. Esse fenômeno parece estar relacionado ao aumento da adesão a longo prazo a um consumo de alimentos com menor teor de gordura.

Novas perspectivas de tratamento com os atuais agentes farmacológicos

Associações de dois agentes farmacológicos

Embora não existam estudos randomizados com a associação de sibutramina e orlistat, na prática clínica ela tem sido utilizada no tratamento de pacientes obesos, uma vez que o sítio de ação desses medicamentos é diferente. Os autores analisaram a eficácia e tolerabilidade de sibutramina e orlistat nas doses habitualmente usadas em 214 pacientes (121 mulheres e 93 homens) que utilizaram esta associação por até seis meses. As características dos pacientes na avaliação inicial, após 3 meses e após 6 meses são mostradas na tabela 6. A associação de sibutramina e orlistat no tratamento da obesidade nitidamente, neste estudo, promoveu uma redução de peso bem maior que a relatada em estudos clínicos randomizados e a tolerabilidade da associação foi muito razoável (161).

Uso de agentes farmacológicos no tratamento da obesidade infantil

A abordagem clínica atual da obesidade infantil envolve basicamente terapias cognitivo-comportamentais dirigidas a mudanças de padrões alimentares e de atividade física.

É muito provável que o aumento do conhecimento sobre a fisiopatologia da obesidade leve ao desenvolvimento de medicações apropriadas tanto para adultos como para crianças, derivadas possivelmente de substâncias que regulam a fisiologia da economia metabólica. Não obstante os agentes farmacológicos atuais não estejam aprovados para tratamento da obesidade na infância, há esperanças de que esses agentes mostrem-se úteis em adolescentes e crianças. Existem estudos clínicos em andamento na avaliação de orlistat e de sibutramina em pacientes pediátricos. Esses estudos são necessários, uma vez que não se pode assumir que riscos e benefícios do uso desses agentes são os mesmos em adultos e em crianças (162).

Gabriel Amorim
Farmacêutico

Referência
MANCINI, Marcio C.; HALPERN, Alfredo. Tratamento Farmacológico da Obesidade. Arq Bras Endocrinol Metab,  São Paulo ,  v. 46, n. 5, p. 497-512,  Oct.  2002 .   Available from http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0004-27302002000500003&lng=en&nrm=iso

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